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Casebre de madeira com quatro minúsculas peças, que lhes deveriam servir de local de apostolado. A sala melhor, a da frente, com porta e duas janelas, bem como a dos fundos, que dava para o pátio, as Irmãs logo as dedicaram para as aulas.
O corredor escuro, sem janelas, que ligava as duas salas e cujos móveis eram quatro camas-de-vento e um baú de madeira, lhes serviria simultaneamente de dormitório e oratório.
Colocando uma cruzinha, uma pequena estampa do Sagrado Coração de Jesus, uma caixinha de Relíquias e uma estátua de São José sobre o baú, este lhes serviria de altar.
Havia ainda uma peça menor, mobiliada com duas cama-de-vento e um lavatório. Tanto este quanto as camas estavam corroídos de carunchos. As paredes da casa estavam sujas e as vidraças, quebradas. E, para completar, o assoalho balançava e havia sinais de ninho de ratos.
Para cozinha, as Irmãs acharam espaço num pequeno galpão anexo onde, num dos cantos, se viam restos de um velho fogão de tijolos quebrados. Mas havia também dúzias de ratões que passaram a furtar o azeite das Missionárias e, já na primeira noite, consumiram o pavio da lamparina. Além disso, o galpão não tinha janelas, podendo a luz do sol entrar somente pela porta e pelo telhado sem forro. As frestas deste, porém, eram tais que em dia de chuva abundante, parecia pouco menos do que o céu aberto, deixando penetrar tanta água que o fogo apagava, e aumentava a ração das panelas que estivessem sem tampas.
Contudo, junto ao galpão, ainda existia uma peça, também estilo casebre, que era considerada melhor, por ser em parte lajeada e em parte assoalhada e possuir duas janelas e duas portas. Mas também aqui não havia forro no telhado e as portas, desprovidas de fechaduras, tinham de ser amarradas com barbantes. Esse recinto, as Irmãs logo o destinaram para sala de visitas e quartinho de música, pois os Jesuítas gentilmente lhes emprestaram um velho piano de cauda.
Os mantimentos se reduziram a alguns quilos de arroz e café e a um pacote de bolachas.
Muitos sacrifícios lhes impôs também a falta água potável. Preferiam passar sede a tomar a única água do rio que era, não só balneário da população, mas a cloaca da cidade.
Quanto ao dinheiro, Madre Ana destinara seu último troco para uma Santa Missa em Ação de Graças.
A pobreza de fato era notória, uma pobreza imposta por circunstâncias que a posteridade haveria de questionar. Ao ver as Irmãs nesta situação, D. Sebastião exclamou: "Ó Santa Pobreza!"
As Missionárias, entretanto, longe de se queixarem da situação, mostraram-se felizes por serem semelhantes a Cristo e a São Francisco.
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